18:50 Há precisamente uma semana a Júlia nascia.
Desde
então foram dias tão cheios! Desliguei de tudo à volta para vivê-los em pleno.
Não queria desperdiçar nada. As coisas aconteceram num tempo próprio, uma
sucessão de episódios que tinham sido muitas vezes antecipados, mas nunca
sentidos. É impossível imaginar o que se sente quando nos
põem nas mãos aquele ser cujos movimentos fomos apreendendo ao longo dos últimos
nove meses.
Depois de muita fazer esperar, na quinta-feira, dia que
começou com mais uma caminhada (ufas), a bolsa rebentou pelas 15:00... Alimentava o
desejo que assim fosse, porque era sinónimo que o parto se daria de forma natural
como sempre quis e, admito, o rebentar das águas tem o seu encanto... A
surpresa tão aguardada... A partir daí, foi tudo muito rápido: as contrações
chegaram e intensificaram-se. E rapidamente estava a enfrentar o meu receio: a
epidural! Mas nem senti... Acho que nessa altura as dores já eram
tantas que não havia espaço para sentir mais nada.
Depois o tempo dilui-se de forma estranha como
se tivesse lapsos de memória. O pai, os médicos, os enfermeiros, movimentos, a
notícia do parto ter que ser assistido por ventosa, dilatação completa e...
Júlia nas minhas mãos. Não me lembro sequer de a ouvir chorar. Apenas de a
sentir. E de ter vontade de chorar e de não conseguir. Desde então ando ocupada a saborear cada momento deste grande amor.

