quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Sete dias depois

18:50 Há precisamente uma semana a Júlia nascia. 

Desde então foram dias tão cheios! Desliguei de tudo à volta para vivê-los em pleno. Não queria desperdiçar nada. As coisas aconteceram num tempo próprio, uma sucessão de episódios que tinham sido muitas vezes antecipados, mas nunca sentidos. É impossível imaginar o que se sente quando nos põem nas mãos aquele ser cujos movimentos fomos apreendendo ao longo dos últimos nove meses.

Depois de muita fazer esperar, na quinta-feira, dia que começou com mais uma caminhada (ufas), a bolsa rebentou pelas 15:00... Alimentava o desejo que assim fosse, porque era sinónimo que o parto se daria de forma natural como sempre quis e, admito, o rebentar das águas tem o seu encanto... A surpresa tão aguardada... A partir daí, foi tudo muito rápido: as contrações chegaram e intensificaram-se. E rapidamente estava a enfrentar o meu receio: a epidural! Mas nem senti... Acho que nessa altura as dores já eram tantas que não havia espaço para sentir mais nada.


Depois o tempo dilui-se de forma estranha como se tivesse lapsos de memória. O pai, os médicos, os enfermeiros, movimentos, a notícia do parto ter que ser assistido por ventosa, dilatação completa e... Júlia nas minhas mãos. Não me lembro sequer de a ouvir chorar. Apenas de a sentir. E de ter vontade de chorar e de não conseguir. Desde então ando ocupada a saborear cada momento deste grande amor. 

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